terça-feira, 3 de junho de 2008

Così fan tutte na Irlanda

Esta minha longa ausência deve-se ao facto de estar já há quase um mês na Irlanda do Norte a trabalhar que nem uma desalmada na produção de Tom Hawkes do Così fan tutte, em Castleward. Castleward tem seguido o formato de Glyndebourne, se bem que numa escala bem mais pequena, usando a propriedade de uma casa aristocrática para albergar uma casa de ópera. O público pode então usufruir da beleza da propriedade, fazendo um picnic durante a hora e meia que dura o intervalo. Claro está que vai tudo aperaltado. Há várias companhias de ópera em Inglaterra neste estilo, mas, na Irlanda do Norte, só há esta.

Castleward fica a 45 minutos de Belfast, onde estou a viver. As récitas começaram na sexta-feira passada e , por isso, tenho agora mais tempo para aprofundar o meu conhecimento desta cidade. Já cá tinha estado com os meus pais há anos atrás, mas lembrava-me muito pouco do que tinha visto. Aqui ficam umas fotos da Câmara Municipal e Belfast Wheel, da Palm House nos Jardins Botânicos, do Crown Liquor Bar e da Queen's University.

2 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Achei o post interessante mas - possivelmente (certamente) por ignorância - não consegui perceber exactamente o modelo do concerto. Pode explicar um pouco melhor (claro quendo tiver ocasião).

Joana disse...

Fernando, obrigada pela visita e pelo comentário. Peço desculpa se o post não é muito claro, mas a minha ideia não era explicar ao pormenor o modelo das companhias de ópera de Verão no Reino Unido – não sei se esta é a sua dúvida.

Começo por dar um exemplo do horário em Castleward:
18.45 – público começa a chegar para tomar umas bebidas antes do espectáculo
19.30 – começo do espectáculo
21.00 – intervalo : pique-nique ou jantar reservado no restaurante, passeio pela propriedade e mais bebidas
22.30 – começo da 2ª parte do espectáculo
23.45 – final do espectáculo e mais bebidas; quem não bebeu, conduz.

No Verão, é sempre bom estar em contacto com a natureza e fazer picnics (pelo menos no Reino Unido). Assim, em vez de se ir a uma casa de ópera no centro da cidade, pode-se ir ao campo ver ópera, a uma propriedade, quer privada quer pública, desde que tenha uma mansão, um lago, jardins e terras infindáveis com ovelhinhas a pastar. A propriedade ou tem uma casa de ópera construída de propósito para o efeito (como Glyndebourne) ou adapta o que já existe na propriedade (como Castleward que adaptou os estábulos) ou utiliza os próprios jardins como cenário (como Garsington por vezes ultiliza). O intervalo é muito mais longo para que as pessoas possam usufruir da beleza da propriedade, fazendo picnics e passeando pelas terras. Depois, voltam já meio bebidos para a segunda parte do espectáculo.

Normalmente, este tipo de companhias vende bilhetes caríssimos, pelo que o público é essencialmente constituído pelos mais ricos, que se aperaltam todos. Alguns, até levam a prata da casa e os mordomos para que o pique-nique seja servido com toda a pompa!

Se tiver dúvidas mais especificas, diga!