domingo, 19 de março de 2006

Adrenalinas

É suposto, ao fim de tantos anos de estudo, que uma pessoa conheça bem a voz que tem. Pois parece que eu tenho a compreenção lenta…

São os outros que me dizem o que posso fazer porque penso sempre que não é para mim – é sempre demasiado leve ou demasiado pesado. Foi um problema para o chefe de departamento de ópera saber qual dos papéis eu deveria fazer, se Alice, se Nannetta. Na verdade, a minha voz está entre as duas… Mas, na verdade, a Nannetta não tem de ser ligeiríssima! Afinal, sempre é Verdi! Descobri que sou ligeira o suficiente para fazer este papél (desde que não o faça numa sala muito pequena, onde teria a tendência para “apertar” os agudos com medo de não ser musical…).

Para além de não saber o que está ao meu alcance, também me esqueço da importância (diria extrema, no meu caso) da adrenalina. Estava com tanta energia e com tanta vontade de cantar que me deu tanta confiança, que as coisas só poderiam correr bem.

É raro ter nervos quando faço ópera. Tenho-os mais em recitais. Numa ópera, todos partilham a responsabilidade de fazer um bom trabalho. Num recital, cai tudo sobre dois ombros… Devia cair sobre quatro, porque o pianista também é gente, mas, na realidade, é o cantor que “dá a cara”…

Enfim, isto tudo para dizer que a minha primeira récita correu melhor do que eu esperava. Agora o desafio é repetir o feito na quarta-feira!

1 comentário:

Bixu disse...

Boa!:)) Parabéns...
Quanto ao que deves ou não cantar...a minha modesta opinião é: se até dos "grandes" todos opinam, dos que estão a começar não se poderia deixar de opinar...por isso, canta o que te dá prazer e no q te sentes bem...o resto? Manda-se à m**da ou ignora-se.
Bjs